A Teus Pés: Em homenagem a Ana Cristina Cesar, apresentamos a leitura dos seus poemas interpretados com as obras de Banksy.
Poemas da Ana Cristina Cesar, em A Teus Pés
NOITE CARIOCA
Diálogo de surdos, não: amistoso no frio. Atravanco na contramão. Suspiros
no contrafluxo. Te apresento a mulher mais discreta do mundo: essa que não tem
nenhum segredo.
MOCIDADE INDEPENDENTE
Pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra cima sem medir mais as
conseqüências. Por que recusamos ser proféticas? E que dialeto é esse para a
pequena audiência de serão? Voei pra cima e agora, coração, no carro em fogo
pelos ares, sem uma graça atravessando o Estado de São Paulo de madrugada,
por você, e furiosa: é agora, nesta contramão.
CARTILHA DA CURA
As mulheres e as crianças são as primeiras que desistem de afundar navios.
ESTE LIVRO
Meu filho. Não é automatismo. Juro. É jazz do
coração. É prosa que dá prêmio. Um tea for two
total., tilintar de verdade que você seduz,
charmeur volante, pela pista, a toda. Enfie a
carapuça.
E cante.
Puro açúcar branco e blue.
Queria falar da morte
e sua juventude me afagava.
Uma estabanada, alvíssima,
um palito. Entre dentes
não maldizia a distração
elétrica, beleza ossuda
al mare. Afogava-me.
RECUPERAÇÃO DA ADOLESCÊNCIA
é sempre mais difícil ancorar um navio no espaço
olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas.
“NESTAS CIRCUNSTÂNCIAS O BEIJA-FLOR VEM SEMPRE AOS
MILHARES”
Este é o quarto Augusto. Avisou que vinha. Lavei os sovacos e os pezinhos.
Preparei o chá. Caso ele me cheirasse… Ai que enjôo me dá o açúcar do desejo.
ENCICLOPÉDIA
Hécate ou Hécata, em gr. Hékáté. Mit. gr. Divindade lunar e marinha, de
tríplice forma (muitas vezes com três cabeças e três corpos). Era uma deusa
órfica, parece que originária da Trácia. Enviava aos homens os terrores noturnos,
os fantasmas e os espectros. Os romanos a veneravam como deusa da magia
infernal.
16 DE JUNHO
Posso ouvir minha voz feminina: estou cansada de ser homem. Ângela nega
pelos olhos: a woman left lonely. Finda-se o dia. Vinde meninos, vinde a Jesus. A
Bíblia e o Hinário no colinho. Meia branca. Órgão que papai tocava. A bênção
final amém. Reviradíssima no beliche de solteiro. Mamãe veio cheirar e
percebeu tudo. Mãe vê dentro dos olhos do coração mas estou cansada de ser
homem. Ângela me dá trancos com os olhos pintados de lilás ou da outra cor
sinistra da caixinha. Os peitos andam empedrados. Disfunções. Frio nos pés. Eu
sou o caminho, a verdade, a vida. Lâmpada para meus pés é a tua palavra. E luz
para o meu caminho. Posso ouvir a voz. Amém, mamãe.
19 DE ABRIL
Era noite e uma luva de angústia me afagava o pescoço. Composições
escolares rodopiavam, todas as que eu lera e escrevera e ainda uma multidão
herdada de mamãe. Era noite e uma luva de angústia… Era inverno e a mulher
sozinha… Escureciam as esquinas e o vento uivando… Saí com júbilo escolar nas
pernas, frases bem compostas de pornografia pura, meninas de saiote que
zumbiam nas escadas íngremes. Galguei a ladeira com caretas, antecipando o
frio e os sons eróticos povoando a sala esfumaçada.
Hi there!
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