Loading…


O feminismo está enfrentando problemas de legitimação. E não sou eu que estou dizendo (pelo menos não até agora), são as próprias mulheres.

No mês de abril de 2019, uma pesquisa da Datafolha revelou que apenas 39% das mulheres brasileiras apoiam a causa feminista, contra 52% dos homens.

Recentemente, a National Geographic/Ipsos realizou uma pesquisa em que, em um universo de mais de 1000 mulheres americanas, somente 29% se identificaram como feministas.

Já uma outra pesquisa, uma poll da Global Ipsos, revelou que, se o termo significar “alguém que advoga e apoia iguais oportunidades para mulheres”, 61% das mulheres americanas se definem como feministas.

Há claramente uma dificuldade de adesão ao termo feministas. Mas por quê? Se não existe problema com a igualdade de gênero, ao quê parte significativa das mulheres não quer se vincular?

Nessa mesma pesquisa, 83% das mulheres indianas também responderam sim à igualdade de oportunidades. É um país em que existem críticas significativas de mulheres à liberação sexual. No Japan Times, já em 2009, Rachael e Gautaman Bhaskaran afirmavam que a liberação sexual tomava rumos trágicos na Índia: sexo livre pode ser letal, pois homens e mulheres possuem expectativas diferentes: “enquanto homens oferecem amor em troca de sexo, mulheres se submetem ao sexo para obter um senso de preenchimento emocional”, disseram elas.

Em resposta às frustrações de relacionamentos com homens, mulheres passam a desconstruir o romantismo. Faltou combinar com o inconsciente.

O movimento #metoo voltou a questionar a liberação sexual, quando denunciou a falta de responsabilidade dos homens em relação aos sentimentos das mulheres.

Consenso não é apenas dizer sim à relação sexual, mas também considerar os impactos do sexo na vida da mulher.

LEIA
Barroso diz em Harvard que o direito da mulher abortar passou no Brasil

Não é à toa que o #metoo iniciou uma batalha de feminismo intergeracional, com as mulheres mais velhas acusando as mais novas de propagar um “novo puritanismo”. Como explica Vad Baham, para as mais velhas, sexo casual e parceiros múltiplos eram atos de desafio aos tabus do patriarcado.

Bem, parece que o tabu foi destruído e não teve tanta graça assim. Será que tinha algum sentido?

Hoje, as mulheres jovens lutam para que os homens não a sexualizem e que tenham limites. O que é o inverso da liberação sexual da quebra de tabus de parceiros múltiplos.

A cantora Luísa Sonza atingiu 4.2 milhões de dislikes em um clipe em que ela é “dona da liberação sexual”, com o antigo diálogo das bundas, que vemos, pelo menos, desde Carla Perez.

Em uma campanha que fiz relacionando esse clipe à objetificação de mulheres pobres, consegui o melhor nível de engajamento possível entre mulheres no Facebook. No início, pensei que a aceitação viria de mulheres mais velhas, porém foram as mais novas que responderam positivamente à campanha, com engajamento significativo girando em torno dos 13 aos 17 anos.

Há algo errado no bem-estar da mulher, quando se refere à liberação sexual. A ideia de liberação sexual feminina levou à satisfação masculina. Mais mulheres disponíveis para o sexo, sem a necessidade de envolvimento emocional, é confortável para a constituição biopsicológica do homem.

Para que o amor seja construído em torno da relação sexual, é necessário que o sexo tenha alguma escassez, construindo-se no jogo sexual uma história de envolvimento emocional.

Se o feminismo se transformar em um movimento pró-sexo de dildos cor-de-rosa como solução de liberdade, afastará cada vez mais mulheres.

LEIA
O Maior Problema do Direito Constitucional e Como o Amor de um Casal Ajudou a Superá-lo

Mulheres que buscam igualdade de oportunidades, mas que querem bem-estar e relações mais sólidas. Mulheres que, cada vez mais novas, sabem da onde vem as suas feridas e compreendem que a relação de prazer não é facilmente dissociada do afeto. Mulheres que não querem desconstruir o romantismo, mas a violência. A violência que machuca o útero

Eu tenho minhas dúvidas se elas estão convencidas em apagar o significado dos estrogênios, dos seios, do útero (mais até do que o clitóris) e do pai.

Em 1968, quando as ideias feministas mais básicas eram assustadoras e radicais, uma mulher proclamou em um raro momento de clareza: “uma mulher livre precisa de um homem livre”.

O feminismo contemporâneo acertadamente grita por mais defesas e o prazer se torna sinônimo de auto-indulgência e narcisismo.

O problema é que ele ainda não se deu conta de que menos violência depende de mais precaução e cuidado.

Não tem problema. Não há nada de errado em chamar pelo pai.