O pai não pode aban­do­nar a mãe na gra­vi­dez. Não há gra­vi­dez segu­ra sem res­pei­to à dig­ni­da­de da mulher. Ela pre­ci­sa de con­for­to e recur­sos para que o bebê pos­sa nas­cer sau­dá­vel: ali­men­ta­ção espe­ci­al, assis­tên­cia médi­ca e psi­co­ló­gi­ca, exa­mes com­ple­men­ta­res, inter­na­ções, par­to, medi­ca­men­tos e outras neces­si­da­des indispensáveis.

Os ali­men­tos gra­ví­di­cos exis­tem para pro­te­ger o nas­ci­tu­ro duran­te a ges­ta­ção. A 3ª Tur­ma do STJ deci­diu pou­pá-lo de pro­ces­sos des­ne­ces­sá­ri­os. Ela deci­diu que a ação de ali­men­tos gra­ví­di­cos não se extin­gue ou per­de o seu obje­to com o nas­ci­men­to da criança.

Os ali­men­tos sim­ples­men­te se con­ver­tem em pen­são ali­men­tí­cia em favor do recém-nas­ci­do, até que haja uma ação revi­si­o­nal que soli­ci­te o aumen­to, a redu­ção do valor ou até mes­mo o seu fim.

A ação de inves­ti­ga­ção ou nega­tó­ria de pater­ni­da­de tam­bém pode extin­guir o dever de pagar pen­são alimentícia.

Simplificando

O pai paga os ali­men­tos gra­ví­di­cos para o bebê nas­cer sau­dá­vel, mas a res­pon­sa­bi­li­da­de dele não aca­ba com o nas­ci­men­to. A mãe não tem como cui­dar da cri­an­ça sozi­nha. O pai tem que pagar pen­são ali­men­tí­cia em favor do recém-nascido.

Os ali­men­tos gra­ví­di­cos evo­lu­em para pen­são ali­men­tí­cia, auto­ma­ti­ca­men­te. A deci­são do STJ segue o que está expres­so no arti­go 6º, da Lei 11.804/2008:

Após o nas­ci­men­to com vida, os ali­men­tos gra­ví­di­cos ficam con­ver­ti­dos em pen­são ali­men­tí­cia em favor do menor até que uma das par­tes soli­ci­te a sua revisão. 

O STJ, assim, res­pei­ta a lei, dá cele­ri­da­de e faci­li­ta o aces­so à jus­ti­ça. Já pen­sou se o recém-nas­ci­do tives­se que pedir uma nova deci­são para o juiz só por­que nas­ceu?! Não seria razoá­vel. Não faria sen­ti­do algum.

STJ, 3ª Tur­ma, REsp 1.522.142-PR, Rel. Min. Mar­co Auré­lio Bel­liz­ze, por una­ni­mi­da­de, jul­ga­do em 13/6/2017.

Sobre Igor Pereira

Dou­to­ran­do e Mes­tre em Direi­to pela Uni­ver­si­da­de do Esta­do do Rio de Janei­ro (UERJ). Estu­da Wri­ting na Uni­ver­si­da­de da Cali­fór­nia — Ber­ke­ley. Já leci­o­nou na UERJ, UFRJ, FGV e em outras uni­ver­si­da­des. É o líder da Clí­ni­ca DDP — Direi­tos Huma­nos, Des­cons­tru­ção e Poder Judi­ciá­rio, com atu­a­ção no Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral. Autor de diver­sos livros e arti­gos jurí­di­cos. Gos­ta do prag­ma­tis­mo nor­te-ame­ri­ca­no, mas sem dis­pen­sar o bom gos­to parisiense.

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